Jogadora profissional de Call of Duty Mobile de 19 anos é morta a facadas

04/03/2021

Ingrid “Sol” Oliveira Bueno da Silva, 19 anos, foi assassinada a facadas em Pirituba, zona norte de São Paulo. O crime foi cometido na tarde de segunda-feira, 22 de fevereiro, na casa do confesso Guilherme “FLASHLIGHT” Alves Costa, 18, que foi preso.

 

“Sol” era jogadora profissional de Call of Duty Mobile (CoDM) pelo time FBI E-Sports, assim como “FLASHLIGHT”, que por sua vez jogava pelo Gamers Elite. O confesso teria a convidado para jogar com ele em sua casa.

 

Nós compilamos para vocês as informações mais importantes sobre o caso. Nessa matéria, você encontrará:

 

  • Como Ingrid e Guilherme se conheceram;
  • Há quanto tempo o confesso planejava o crime;
  • Como o crime foi cometido;
  • Quais foram os depoimentos do confesso;
  • A repercussão do caso nas redes sociais;
  • As homenagens e o movimento #JustiçaPelaSol.

 

Essa matéria contém informações apuradas exclusivamente pelo portal R7 e pelo portal Jovem Pan.



A amizade

Ingrid e Guilherme se conheceram pela internet através do jogo CoDM e conversavam há aproximadamente um mês. Era a segunda vez que a jogadora o visitava.

 

A mãe de Guilherme, Maria Rita Alves, contou ao portal R7 que o filho apresentou Ingrid como “uma moça de Santana” e disse que não a trazia mais vezes pois a mãe da jogadora não permitia. Maria Rita também disse que Ingrid se apresentou com o nome Marisol.

 

Para visitá-lo, Ingrid apresentou atestado médico no trabalho e não avisou seus pais. O ex-namorado teria sido a última pessoa com quem a jogadora falou: Sol contou que ia visitar um amigo, mas não disse quem era.

Foto do Instagram de Ingrid "Sol" Oliveira.
Ingrid "Sol" Oliveira. Fonte: Reprodução/Instagram.

O crime

Maria Rita contou que não estava em casa antes do crime, mas que viu Guilherme e Ingrid antes de sair. O primeiro a saber do assassinato foi o irmão de Guilherme, que voltou do trabalho e encontrou o corpo. Sol foi esfaqueada até a morte.

 

Segundo apurou o portal R7, um dos motivos do assassinato foi por Ingrid recusar a participar de um ato terrorista proposto por Guilherme. Detalhes sobre esse ataque não foram fornecidos ainda.



Vídeos

Guilherme gravou um vídeo pelo celular mostrando o corpo da vítima, rindo e mostrando seu rosto através de um espelho. O confesso usava uma máscara de caveira que lembrava a de assassinos de atos terroristas em Columbine e Suzano.

 

Divulgar o vídeo ou fotos do corpo nas redes sociais pode categorizar vilipêndio a cadáver, que prevê detenção de um a três anos e multa segundo o Artigo 212 do Código Penal Brasileiro.

 

“A imagem de um ancestral é muitas vezes para seus descendentes patrimônio moral mais valioso que os bens materiais por ele deixados”, afirmou Sérgio Cavalieri Filho, Presidente do Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro. “Assim, mesmo depois da morte, a memória, a imagem, a honra das pessoas continuam a merecer a tutela da lei. Essa proteção é feita em benefício dos parentes do morto, para se evitar os danos que podem sofrer em decorrência da injusta agressão moral a um membro da família já falecido”.

 

A família e os vizinhos afirmaram que não ouviram barulhos nem gritos por socorro.

 

Após cometer o feminicídio, o jogador teria pegado um ônibus e gravado outro vídeo a caminho de um shopping, afirmando que o vídeo anterior não era “montagem ou algo do tipo” e reforçando que realmente tinha matado Ingrid.



Livro

No mesmo vídeo, o confesso também informou ter escrito um livro-diário e que “algumas verdades” poderiam ser encontradas lá.

 

Segundo a mãe de Guilherme, o documento provavelmente foi escrito pelo celular, não tendo assim uma cópia física. Ela ainda não leu o livro.

 

As poucas pessoas que tiveram acesso aos textos afirmaram que continham declarações de ódio a cristãos e mulheres.



A prisão

A polícia cercou a casa e teria sido o irmão de Guilherme que convenceu o jogador, por mensagens no celular, a confessar o crime. Antes disso, Guilherme tinha dito aos familiares que iria cometer suicídio. Ele se entregou à polícia meia hora depois do crime.

 

A mãe de Guilherme voltou para casa pouco depois, após receber uma ligação de um dos filhos pedindo que viesse logo. Segundo o portal R7, ela pensava que algo tinha acontecido com seu outro filho, que trabalha de moto.

 

Ao ser preso, o jogador afirmou que sua “sanidade mental está completamente apta”. Quando questionado pela polícia sobre os motivos do crime, Guilherme citou vários:

 

“Meu objetivo? Meu objetivo era ficar com a moça e matar”

 

“[Eu fiz isso] Porque eu quis”

 

“[Eu queria atacar o cristianismo] em meu nome”

Guilherme "FLASHLIGHT" Costa sendo preso. Fonte: Reprodução.
Guilherme "FLASHLIGHT" Costa sendo preso. Fonte: Reprodução.

Em depoimento, o jogador afirmou estar “em plenas faculdades mentais” e que matou Ingrid porque ela “atravessou seu caminho”. Guilherme também disse que já planejava o crime há duas semanas.

 

“Olha, sinceramente, não era o Guilherme. Não era, não era, não era” contou Maria Rita aos choros para portal R7. “O filho que eu criei não foi esse, gente, não foi. Sinceramente, não foi… […] Foi um choque para mim, porque eu jamais acreditava que o Guilherme ia fazer isso. Eu jamais, jamais… Nunca que eu pensei que era ele que fez essa coisa, nunca”.



Após o assassinato

 

Sexta-feira, 26 de fevereiro, a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia do Ministério Público contra Guilherme, tornando-o réu do caso oficialmente. O processo para verificar a sanidade mental do jogador também será iniciado.

 

Também foi autorizada a quebra de sigilo de seus dados no celular, para averiguar se o jogador realmente agiu sozinho. Ligações, mensagens e imagens em aplicativos e redes sociais serão investigadas.

 

Em nota, a família da Sol afirmou que ela havia terminado um relacionamento recentemente, mas tinha planos com o ex-namorado de reatar durante uma viagem que fariam juntos. A família também disse que Ingrid mudou quando conheceu Guilherme.

 

“Ela passou a mentir para nós, passava muito tempo falando com ele durante os jogos”, diz a nota. A família acreditou que não precisava se preocupar pois era um amigo do trabalho, como disse Sol, e que talvez a jogadora tenha mentido por medo de não permitirem que ela encontrasse pessoalmente um amigo feito pela internet.

 

Sobre os rumores de que Ingrid teria se suicidado, a família afirmou: “Estão dizendo mentiras de minha filha. Ela não era suicida, como estão dizendo”.

 

“Minha filha não queria morrer. Porque ela tinha vários planos. Ela jamais pensaria em morte”, continua a nota. “Ela jamais pensaria em morte. Ela foi como uma ovelha pro abate. Inocente e sem saber. Guilherme disse que ela foi contra os planos dele e esse monstro matou minha Sol”.

 

Fontes anônimas informaram à Jovem Pan que vídeos do assassinato estão sendo enviados para jogadoras de esports com ameaças, e o portal afirmou que todas as denúncias foram repassadas para a polícia.



Repercussão nas redes sociais

 

O caso ganhou mais notoriedade quando o time Jaguares Esports postou uma imagem de luto no Twitter junto com uma foto da Sol, além de divulgar o comunicado oficial do Gamers Elite, time que Guilherme pertencia.

Na nota de esclarecimento, o Gamers Elite afirmou que FLASHLIGHT teria enviado o vídeo do corpo de Sol no grupo de Whats App do time, além de um arquivo PDF com “mensagens de ódio contra cristãos” e “aceno ao terrorismo”.

 

A equipe também reiterou que a interação com Guilherme era exclusivamente de forma virtual, que não compactuam com atos criminosos ou apologias a crimes, e que informou as autoridades assim que receberam o vídeo.

 

A FBI E-Sports, time pelo qual a Sol jogava, também externou seu luto e compartilhou em seus stories do Instagram várias homenagens direcionadas à jogadora feitas por outros jogadores, equipes e organizações de esportes eletrônicos.



Doações do cenário

A comentarista Letícia Motta, reconhecida no cenário nacional de VALORANT, iniciou uma campanha de arrecadação assim que soube do ocorrido, doando 50% do arrecadado em inscrições no canal para a instituição Casa da Mulher do Nordeste.


Letícia pediu ajuda aos times Jaguares Esports e FBI E-Sports e conseguiu contatar a família da Sol. A campanha arrecadou pouco mais de R$ 4.000,00 reais, sendo que R$ 3.000,00 foram doados para a família da vítima e o restante foi encaminhado à instituição Casa da Mulher do Nordeste.

Homenagens

A hashtag #JustiçaPelaSol foi adotada em publicações nas redes sociais que divulgassem o caso, informassem sobre os perigos de encontros com conhecidos pela internet, ou que homenageassem a memória de Ingrid “Sol”.

 

Os integrantes do Gamers Elite se reuniram no jogo para gravar um vídeo honroso à jogadora e o publicaram no Instagram.

 

“Ontem acabamos de perder nosso sol na terra, mas o sol no céu tenho certeza que vai brilhar mais ainda” diz um trecho da legenda do vídeo, que conta como trilha sonora a música O Sol, de Vitor Kley.

O Gamers Elite também divulgou em seus stories do Instagram várias outras homenagens de outros jogadores e times, assim como fez a FBI E-Sports. São vídeos musicais de slides com as fotos da jogadora ou reuniões em jogo para compartilhar o luto. Alguns times cancelaram treinos e partidas.

 

Confira mais homenagens:

Mulheres têm que ter o dobro do cuidado

Qualquer pessoa pode nos surpreender, tendo nos conhecido pessoalmente ou não.

 

Não importa se sua amizade é virtual ou de infância, pois infelizmente nós mulheres precisamos ter o dobro do cuidado ao nos encontrarmos com alguém.

 

Nós da Sakuras Esports te pedimos que sempre tome medidas de segurança ao sair de casa, mesmo que para encontrar um amigo de confiança:

 

  • Leve seu celular carregado e com a localização ativada;
  • Compartilhe sua localização em tempo real com uma parente ou amiga;
  • Sempre diga para onde vai e quem vai encontrar;
  • Se possível, nunca vá sozinha;
  • Não compartilhe seu endereço ou rotina nas redes sociais;
  • Lembre-se de ligar 190 (Disque-Denúncia) se sentir-se em perigo;
  • Lembre-se de ligar 180 (Central de Atendimento à Mulher) se julgar necessário fazer uma denúncia.



Iremos continuar lutando, independente de qualquer coisa que tente nos impedir.

 

Descanse em paz, Sol.

Lana “Juno” Duarte

Diretora de Comunicação da Sakuras Esports, a caminho da formatura em Jornalismo e main Miss Fortune nas horas vagas.

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