Nicks femininos: desserviço ou apoio?

Se você é gamer com certeza já se deparou, em algum momento da vida, com algum homem que utiliza nicks femininos nos jogos. Os motivos pelos quais fazem isso são muito variados, desde “farmar skin” até “sentir na pele o que mulheres passam”, mas pouco provavelmente essas pessoas se perguntam antes qual o impacto dessa atitude no cenário gamer para as mulheres, únicas atingidas.

Para entender o ponto principal é necessário antes entender o contexto social do qual falamos: ao longo dos anos, mulheres foram oprimidas, ignoradas e subestimadas dentro e fora dos jogos, mesmo nos dias atuais, quando já são, comprovadamente, maioria entre o público consumidor.

No cenário competitivo, mulheres são vistas como inferiores e quando se mostram capazes são alvejadas com ataques e dúvidas sobre suas habilidades, como se fossem boas demais para serem mulheres. No cenário casual, são vistas como “público rosa”, que tem como objetivo ganhar benefícios nos jogos apenas por serem do sexo feminino. 

E aqui chegamos no X da questão, o que leva homens a usarem nicks femininos e qual o impacto disso na sociedade?

Não há explicações cabíveis para quem finge ser mulher tentando conquistar méritos online, sejam skins, elos ou patentes. É uma atitude prejudicial por reforçar o estereótipo de que esse é o único desejo de todas as mulheres e que, inclusive, pode desencadear muitas situações de assédio online.

Já para quem deseja sentir na pele o que é ser mulher em games: mulheres e as situações que elas passam não são experimentos sociais. Há muitas formas de mostrar apoio à comunidade feminina, mas usar nick feminino não é uma delas. Quando alguma mulher se mostra capaz de chegar a um certo nível de habilidade muitas pessoas vão duvidar que ela seja, de fato, do sexo feminino, então pense como seria se não fosse uma mulher, mas sim um homem querendo sentir como é ser uma?

Como dito anteriormente, existem muitas outras causas que motivam essas atitudes, mas nenhuma delas é positiva para a comunidade feminina, considerando que todas reforçam algum tipo de estereótipo em algum momento, salvo as exceções que envolvem identidade e forma de se ver no mundo. 

Se deseja mostrar apoio, cogite incentivar pequenas e grandes criadoras de conteúdo, consumir conteúdo feminino e respeitar as mulheres do seu meio. Exemplos são muito mais úteis do que experimentos sociais.

Thais Queiroz tem 21 anos e é estudante de Psicologia e Marketing, fundadora de toda a franquia Sakuras Esports.

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