Entrevista com Santininha, jogadora profissional de CS:GO

Jogadora profissional de CS:GO com experiência em campeonatos mundiais, Cláudia “santininha” Santini é uma referência no cenário competitivo de FPS. Em entrevista a Sakuras Esports, santininha contou um pouco da sua trajetória que teve início em Santa Catarina, expôs o impacto da rotina como atleta na sua vida pessoal, relatou experiências em torneios fora do país e deu um recado para aspirantes do cenário competitivo.

 

Assumindo uma posição importante de In-game leader (capitã) nos times que atuou, santininha já foi campeã de nove torneios e qualificatórias de CS:GO, com passagem em três grandes campeonatos internacionais. A atleta esteve no pódio da primeira edição do Gamers Club Masters Feminina, do GIRLGAMER Esports Festival e da BGS Esports Female.

“Às vezes eu não acredito em mim mesma, mas quando me lembram o que eu já conquistei por tantos anos, sempre me atualizando e sempre evoluindo, eu consigo enxergar isso também.”

Foto da jogadora santininha

Com quantos anos você decidiu jogar profissionalmente e como foi a decisão (planejada ou “aconteceu”)?

Eu comecei a jogar com 12 anos CS e a forma competitiva apenas aconteceu, não foi uma decisão que eu tomei. Eu gostava muito de assistir jogos em lan houses e o primeiro campeonato que eu fui ver eu já participei jogando no time de meninas da minha cidade. Depois disso eu fiz time com meninas pelo estado de Santa Catarina e vim morar em São Paulo. Acabei fazendo time com pessoas de vários locais e sempre participei de campeonatos. Foi super natural o competitivo e o profissional depois disso para mim.

Ser uma atleta de alto nível influenciou na sua formação como pessoa ao longo dos anos?

Com certeza. Quando você mantém uma rotina nos jogos, você acaba criando uma responsabilidade, e quando você se torna profissional o jogo vira seu trabalho, sua carreira. Você acaba dedicando todo seu tempo nisso e acredito que me fez ser uma pessoa mais centrada nas coisas que eu faço. Eu sempre fui uma pessoa que esteve ativa em redes sociais, porém eu sempre fui mais resguardada sobre expor minha privacidade. Acho que pelo fato de ser uma atleta e algumas pessoas se espelharem em mim eu me cobro em ser um exemplo. Foram consequências que me moldaram durante os anos e me tornaram quem eu sou hoje.

Sobre sua experiência em campeonatos mundiais: você acredita que essa experiência contribuiu para sua melhora como profissional?

Sim. Eu tenho um ótimo exemplo disso que aconteceu no último mundial que eu joguei em Dubai: tivemos um problema com a configuração do server e acabou que foi pedido um pause que não foi dado. Resumindo, pararam o jogo e começaram a tentar ‘voltar’ para onde tinha parado, porém alguma coisa aconteceu no servidor que acabou não gravando o log da partida. A organização do campeonato, sem a intenção, iria acabar prejudicando a gente e já estava muito atrasado os jogos. Não tinha muito o que fazer a não ser ficar horas procurando os logs ou achar uma solução justa. Não sabíamos de nenhuma solução justa, nada vinha na cabeça e estávamos prestes a aceitar que o jogo rolasse assim mesmo e que teríamos uma certa desvantagem. Nessa situação, a capitã do outro time, Vilga, que é uma jogadora de ANOS do cenário e que eu já havia tido o prazer de conhecer muitos anos antes em outros campeonatos, deu uma lição de fairplay (jogo justo), falando que elas esperariam o tempo que fosse até a organização do campeonato resolver o problema, porque não era justo o nosso time se prejudicar, sendo que o time dela não iria ter prejuízo nenhum. Eu sempre me considerei uma pessoa que faz a coisa certa e ver ela naquele momento tendo aquela atitude justa me fez querer chorar. Pode parecer idiota, mas poucos times têm esse tipo de atitude.

Um recado para mulheres que desejam jogar competitivamente.

Tenham uma rotina, esse é o passo mais importante para você jogar competitivamente. E nunca desistam dos sonhos de vocês. O profissional pode ser difícil às vezes, mas a motivação e o trabalho duro vão te levar sim aonde você quer chegar.

Santininha, mais do que uma excelente jogadora profissional no cenário de jogos eletrônicos, é uma inspiração para muitas mulheres que possuem o mesmo desejo de ocupar esse espaço. Sabemos que as portas para a modalidade feminina de Esports nem sempre estão abertas para nós, mas sua resistência e persistência para seguir se empenhando nos motiva a alcançar nossos sonhos e conquistar cada vez mais nosso lugar no universo digital, sempre com muito fairplay nas nossas escolhas.

Palloma "Pérola" Landim

Por Palloma Landim e Thais Queiroz.

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