A rivalidade feminina na comunidade gamer

16/01/2019

Provavelmente, você já deve ter ouvido falar de “rivalidade feminina” em algum lugar. Talvez naquele post da página feminista que você segue, talvez numa roda de conversa entre amigas; ou talvez nunca tenha ouvido falar. Nesse caso, a gente explica pra você: a rivalidade feminina é um conceito que dizem ser intrínseco à natureza das mulheres, mas na verdade foi implantada em nós desde que éramos crianças. É a ideia de que eu necessito ser melhor que outra mulher em tudo que faço perante a sociedade (ou, os homens), e pra isso, são utilizados diversos artifícios, que no senso comum vêm a ser chamados de fofoca, inveja, entre outros.

Você já deve ter ouvido algumas máximas que generalizam mulheres, como “toda mulher é fofoqueira” ou “não dá pra ser amiga de mulher, todas são invejosas”, sendo repetidas tanto por homens quanto pelas próprias mulheres. Além de ser uma tremenda autodepreciação do próprio gênero, é uma mentira: mulheres não são assim, elas foram ensinadas a ser assim e pensar dessa maneira, e não é nada fácil desconstruir esses conceitos depois deles estarem tão enraizados em nós. Mas sempre podemos tentar.

Infelizmente, se tratando da comunidade gamer, não é diferente. É só uma mulher ficar famosa que aparecem outras mulheres pra duvidar da veracidade daquela informação, ou questionar como ela chegou até lá. O caso mais comum é das streamers, que são constantemente acusadas de auto hiperssexualização como maneira de “chamar mais atenção [dos homens, claro]”. Nessa semana, uma streamer que já era bem conhecida no meio de League of Legends foi contratada por uma grande organização, e um dos comentários que puderam ser lidos nas redes sociais foi algo como “ela só ganhou espaço na organização por causa do namorado (que é pro player).

Que a comunidade gamer é machista, todo mundo sabe. O triste é ver mulheres reproduzindo esse machismo com outras mulheres, de maneira igual ou até mesmo pior por conta da tal da rivalidade feminina. Nós deveríamos ver a vitória delas como nossa vitória também, o crescimento delas como o crescimento da comunidade feminina como um todo, e não de maneira sempre crítica ou questionadora. Aquela menina pode sim ter chegado ao elo em que está sem nenhum homem ter jogado na conta dela. Aquela jogadora pode sim jogar tão bem sem ter colocado o namorado pra jogar. Aquela streamer pode sim ter conseguido tanto reconhecimento pela qualidade do conteúdo que ela criou, e não por qualquer outra coisa.

Devemos nos focar em aprender a ser melhores umas com as outras antes de pensarmos em coisas além. Como desejar uma comunidade feminina forte e consistente se nos atacamos o tempo todo? Como esperar que os homens deixem de lado os estereótipos se nós estamos reforçando eles constantemente? Como cobrar um posicionamento das grandes influenciadoras se você chama uma garota qualquer de boostada em qualquer oportunidade? Devemos começar a olhar pra nós mesmas antes de criticar os outros.

Sororidade não é sobre aplaudir qualquer coisa que uma mulher faz, mas sim de tentar ser amiga. É sobre ver uma atitude errada e tentar conversar e mostrar seu ponto de vista sobre aquilo, sem expor ou ridicularizar a mulher pelo seu ato. É se mostrar disposta a ajudar, apoiar, incentivar outras mulheres, não desmotivá-las. Ou, caso não queira fazer nada disso, apenas se conter, apenas não ser propositalmente ruim pra outras mulheres.

Há muitas mulheres por aí tentando fazer com que a comunidade feminina se estabeleça, forte e imponente, de modo a proporcionar uma melhor experiência dentro dos jogos pra todas nós. Você pode fazer parte disso - Assim como pode também não fazer, é uma escolha unicamente sua - mas o mais importante é não tentar atrapalhar. Todas nós estamos num processo de desconstrução contínua, e esse processo não é fácil. Às vezes, podemos errar e acabar fazendo algo ruim pra outra mulher, isso é normal. O que importa aqui é a noção do que é certo e do que é errado, o que prejudica ou não, no final, a nós mesmas.

A Sakuras Esports está de portas abertas pra receber todas vocês, não importado em qual parte do processo de desconstrução você se encontra.

Juliana “Moondded” Alonso

Juliana Alonso, mais conhecida como Moondded, é CEO da Sakuras Esports, além de produzir conteúdo. Apaixonada por games e esports desde que se entende por gente, fala constantemente desses e outros assuntos nas suas redes sociais.

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