Perfis das Jogadoras - Semana Apex Legends

17/10/2019

Serena Capó, 27 anos – São Paulo, SP

 

Serena conheceu o jogo Apex Legends através de amigos, e joga o game desde a segunda semana de lançamento. Serena diz se sentir atraída pelo game devido seu formato em que as partidas são mais rápidas. 

 

 

 

“Achei o jogo visualmente muito bonito, as lendas são interessantes, diversificadas e fogem do padrão que vemos nos games”

O Apex ainda é um jogo muito novo e com pouca visibilidade. Serena acredita que se a desenvolvedora do game implantasse de forma sólida as comunidades nas mais diversas regiões, possibilitaria coberturas decentes de eventos, colocando o público, os jogadores, as organizações em um contato mais intimista. Logo, consequentemente as pessoas de modo geral, se interessariam mais pelo game, e claro, conheceriam melhor o cenário.

Atualmente Serena está focada no Apex Legends, comentou sobre ter jogado outro jogo antes do Apex, falou abertamente sobre sua opinião de que os cenários da maioria dos games são hostis, que não acolhem as mulheres devido a comunidade tóxica que muitos desenvolveram. Mas quando questionada sobre o cenário estritamente feminino, Serena se impôs contra. Ela é contra a criação da Liga Feminina, embora concorde que essa tomada de iniciação previne as mulheres de um ambiente rude.

“…Pode ser uma opinião polêmica, mas eu acho que ligas femininas são benéficas porque permitem as mulheres jogarem em ambientes limpos, mas ao mesmo tempo apenas consolidam o muro que existe entre meninas e meninos. Não curto”

Para Serena, há pouquíssimas meninas que jogam Apex Legends, mas segundo ela isso ocorre principalmente por motivos fora do game. Ela afirma que o jogo é bem acolhedor no quesito diversidade, também ressalta o fato de que o menu de lendas contém inúmeras representações de minorias, e que apesar de serem poucas, há algumas meninas representando o feminino no competitivo de Apex. Ela acredita que o cenário do jogo está se desenvolvendo de forma boa, e espera que futuramente seja um exemplo a ser seguido.

“…o Apex tem a oportunidade de criar uma nova realidade no cenário competitivo, trazendo cada vez mais mulheres em squads não necessariamente femininos. Para mim, essa deveria ser a norma em todos os esports[…] Essa potência de transformar a comunidade em um cenário inclusivo deve ser NUTRIDA! Devemos trabalhar nisso!”

Serena gosta de se adequar ao meta. Inicialmente ela jogava com a lenda Lifeline, porque queria dar utility ao seu squad. Hoje, se adequando ao meta ela joga de Wattson. 

Nathalia “Fleeur” , 26 anos – Alpharetta, Geórgia

“Dormir, comer, Stream, jogar”

Através de amigos e RT’s no Twitter, Nathalia “Fleeur” joga Apex Legends desde seu segundo dia de lançamento. Ela sente apreço pela personagem Wraith, por ter se encaixado perfeitamente em seu estilo de jogo. Segundo Fleeur, o que mais a instiga no game é a jogabilidade com fluidez e o conjunto de armas e lendas que o jogo proporciona. 

Fleeur joga no servidor NA e diz que suas experiências negativas em relação a comunidade são pouquíssimas. Segundo ela a comunidade é capaz de acolher a todos. Fleeur também acha que as mulheres que fazem parte do cenário não são muitas, porém, ela acredita que para um jogo que está em seu início competitivo, o número de mulheres presente nele é plausível.

Fleeur considera que o Apex está quebrando gradativamente o paradigma de desnivelamento entre homens e mulheres:

“Eu acho que o Apex está aos poucos mudando essa visão de que deve ter time só feminino, ou que nenhuma mulher consegue jogar no mesmo nível de um homem.”

E reforça a ideia de que a primordial mudança deve acontecer no público, e também oferece dicas de como isso pode vir acontecer:

“Não adianta ter mais campeonatos e empresas patrocinando mulheres se os torcedores são machistas e fazem apenas comentários ofensivos. Acredito que as empresas devem fazer campanhas para dar espaço e ensinar novos jogadores desde sempre que sexo não influencia na habilidade, e que respeitar ao próximo é essencial.”

Fleeur participou do Twich Rivals: Apex Legends. Ela se sente honrada por ter participado, e mais ainda, se sente honrada por estar presenciando e fazendo parte do crescimento do Apex.

“…são poucas mulheres até o momento. Mas já é um grande passo comparado a outros jogos que não tem nenhuma mulher jogando competitivamente”

Tahis “TahisR” Caroline, 23 anos – Toledo, PR

Assim como a Fleeur e a Serena, Tahis “TahisR” Caroline também conheceu o Apex Legends através dos amigos e muita publicidade. Tahis tem como personagens preferidos Wraith e Wattson. Ela gosta bastante da fluidez do jogo e de como as estratégias podem moldar o caminho da vitória.  

Tahis partilha da ideia de que o Apex está desenvolvendo uma comunidade boa e acolhedora. Ela justifica isso com o argumento de que o cenário do Apex Legends está em seu estágio inicial, e já está acolhendo a diversidade com squad’s mistos. Porém acredita que times e campeonatos unicamente femininos vão demorar a se desenvolver: 

“…querendo ou não alguns players de alto nível masculinos receberiam para jogar em time, já feminino deveria demorar a receber mais atenção ou até patrocínio[…]e quando se trata de campeonatos exclusivos femininos se torna mais complicado” 

Segundo ela, ainda falta uma injeção de ânimo das partes organizacionais, para estimular tanto jogadoras quanto jogadores para alavancar o cenário competitivo do game. Ela acredita que se fosse dada mais atenção a consolidar estruturas regionais, com competições terceirizadas, o cenário do Apex de modo geral perderia a cara de competitivo engessado. Contudo, TahisR acredita que o cenário competitivo de Apex legends é promissor: 

“[…]o competitivo é recente[…].Futuramente acredito num cenário bem estruturado”

Tahis faz stream de alguns jogos, mas atualmente sua stream está focada em Apex Legends e League of Legends.  

Marcella “YoAlasca” Rodrigues,
21 anos – Paranaguá, PR

YoAlasca foi mais uma na multidão de jogadores que entrou no universo de Apex Legends logo depois de seu lançamento, em fevereiro desse ano, mesmo que sua jogatina não tenha mantido a consistência por conta de sua faculdade em tempo integral. 

“Quando vi a mecânica rápida do jogo, me apaixonei e baixei logo nos primeiros dias. […] Em jogos de tiro eu gosto de estar sempre frenética. E quando digo frenética, não é rushando toda hora, mas sim sempre correndo, voando, tendo uma liberdade imensa para me locomover. Isso com certeza é o que mais me atrai no game.” 

 

Alasca possui uma história com FPSs que infelizmente é comum a muitas jogadoras também. Mesmo sendo um de seus gêneros de jogo favorito (junto a RPG), também foi nele que Alasca mais foi oprimida.

 

“Em MMORPGs nunca tive problemas por conta do meu gênero, pelo contrário, encontrava muitas outras garotas, e o povo sempre foi bem gentil comigo. Agora, no cenário de FPS, eu não sei o que acontece com os jogadores, quase todo dia passava por algum problema diferente”

O assédio a perseguiu desde as lan houses, onde garotos pertubavam-a ao vê-la jogar CS 1.6, PS1 e PS2, e a acompanhou até o PointBlank, quando aos 11 anos teve que ouvir garotos dizendo obscenidades e pedindo chamadas de vídeo. Os episódios a fizeram parar de jogar FPS por um momento antes de se virar para o CS:GO, onde chegou a jogar pelo time feminino “BeckLooneyTunes” no campeonato Global da Deprê.

“Foi muito insano e divertido. Mas, assim como o PointBlank anos atrás, o episódio se repetiu novamente”

Em um jogo cuja comunicação interna das equipes é crucial, jogar com o voice_enable desligado dificultava a cooperação e, de qualquer forma, partidas casuais não eram a mesma coisa que voltar a jogar competitivo, um desejo que Alasca ainda carregava.

“[…] decidi voltar a jogar os comps, e naquela época ainda não tinha conhecido a família do GDD Feminino (que me acolheram muito bem aliás, e sou grata até hoje), e tinha feito poucas amizades dentro do jogo, onde quase sempre nossos horários livres não se encontravam. Foi então que, novamente, ouvi coisas horríveis”

Informações básicas como localização de inimigos e estratégias de aproximação ou confronto viravam piadas – e geralmente com conotação sexual. Na época passando por um episódio de depressão, o que deveria ser sua válvula de escape não trazia diversão nenhuma e piorava a situação. Também não adiantava intervir quando via outra garota sofrendo as mesmas coisas – virava piada junto.

“Foi aí que eu decidi parar de jogar de vez. E desde então, eu só voltei quando conheci a GDD, e ficava jogando só com as garotas, mas hoje em dia é bem raro eu abrir o jogo.”

Ao deixar o CS:GO de lado e ficando anos sem prender-se a outro FPS, Alasca acabou voltando ao CS 1.6 e sendo tão bem-recebida por um servidor que tornou-se ADM (DRUNK Alasca), onde segundo ela nunca teve nenhum problema relacionado a gênero e inclusive viu outras garotas jogando também. Passou pelo Fortnite, jogando sempre com amigos, e finalmente encontrou o Apex, game pelo qual se apaixonou e viciou rapidamente. Mas até hoje em dia joga com o voice OFF, por conta de seu “trauma” com CS:GO…

“Já vi muito xingamento no chat jogando com randoms, mas nada relacionado a gênero. Muita gente kitando, sem respeito e sendo tóxico. Mas de um tempo pra cá, só tenho jogado nos server NA (North America), e em poucos dias de jogo já fiz amizades, trocando redes sociais e mantendo contato com eles fora do jogo! Isso foi algo incrível, que fiquei impressionada. Se você tiver a chance de jogar Apex nos servers NA, jogue! Eu geralmente estou nos servers de NY ou Carolina do Sul, onde tem os menores pings.”

Ao deixar o CS:GO de lado e ficando anos sem prender-se a outro FPS, Alasca acabou voltando ao CS 1.6 e sendo tão bem-recebida por um servidor que tornou-se ADM (DRUNK Alasca), onde segundo ela nunca teve nenhum problema relacionado a gênero e inclusive viu outras garotas jogando também. Passou pelo Fortnite, jogando sempre com amigos, e finalmente encontrou o Apex, game pelo qual se apaixonou e viciou rapidamente. Mas até hoje em dia joga com o voice OFF, por conta de seu “trauma” com CS:GO. Sobre um futuro próximo do cenário feminino de Apex Legends, Alasca acha que não será necessário.

“Estou ansiosa [para esse futuro] e acredito que não irá se segmentar em mundiais exclusivamente femininos como em outros jogos, mas sim fazer jus ao nome “Campeonato Misto”, o que deveria ocorrer em todos os jogos! Até porque o Apex não é tão grande como o CS:GO, LoL, R6, entre outros, então por uma questão mais prática e até mesmo financeira, acredito que [as jogadoras] irão se manter nos times mistos (e assim espero).”

Alasca também elogiou a diversidade apresentada no jogo através de personagens como Gibraltar (homossexual), Bangalore (atiradora, mulher e negra) e Octane (personagem com próteses nas pernas), além de pontuar algumas personagens femininas não-sexualizadas, como Bloodhound, Lifeline e Wraith. A jogadora finaliza expressando seu desejo de estar em um grupo de garotas que jogam Apex.

“Nossa, iria adorar jogar com mais garotas. Eu nunca encontrei nem uma vez sequer qualquer outra garota nas partidas, seja no server BR ou NA.”

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por Larissa “Yordle” Souza e Lana “Juno” Duarte

Conteúdo produzido para a Semana Apex.

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