Entrevista com Marina Leite, dona da Prodigy Esports: 'uma mulher, uma mãe, uma empresária'

11/03/2020

A Sakuras Esports teve a incrível oportunidade de conversar com a Marina Leite, dona da equipe Prodigy, time participante do Campeonato Brasileiro de League of Legends (que atualmente ocupa o terceiro lugar na tabela). Nós tínhamos curiosidade em entender um pouco da história dela, então partimos para conhecer um pouco mais dessa mulher.

Casada com o dono da loja Pro Gaming, focada em periféricos e tecnologia, no ano de 2016, ela começa a trabalhar na área com a inauguração da primeira loja física. Marina nos contou da dificuldade que teve em conciliar o trabalho e ser mãe; não nos surpreende a dificuldade que deve ser fazer a dupla jornada: ser mulher trabalhadora e uma mãe. Mesmo contando com o auxílio e apoio do seu marido, Vitor, Marina diz que estava inquieta com sua situação, que na época, trabalhava longas horas com Direito, visto que essa foi sua formação no Ensino Superior. Decidiu, então, pausar sua carreira profissional para conseguir cuidar dos filhos com mais proximidade. Porém, ela se sentia inconformada.

“Eu fiz uma faculdade, demorei tanto tempo estudando, me profissionalizando, fiz especialização, pós graduação e agora… eu sou dona de casa. Eu não estava feliz.”

Em 2016, surge a oportunidade de fazer um time. E é assim que a trajetória da Marina Leite começou dentro do cenário de League of Legends.

“No início, eu estava bastante alheia àquilo. Eu não participava, não participei da formação do time. Eu comecei mais em 2017, quando a loja física começou a crescer e o Vitor percebeu que ele precisava dividir o trabalho administrativo. E eu tomei a frente. Consegui me dedicar 100% ao meu lado profissional.”

 

Qual era sua relação com League of Legends, ou outros jogos, antes de 2017?

“Com LoL? Nenhuma! (risos). O Vitor jogava com o pessoal do trabalho, família, amigos, mas eu não entendia bulhufas, não era minha área de interesse – quando eu era criança, eu cresci com videogame. Eu não tinha ideia de que tinha todo um cenário por trás daquilo, do quão sério e do profissionalismo envolvido.

Eu tive que pesquisar, fazer um trabalho de campo para entender como funcionava e como pode funcionar.”

Tendo que aprender e aventurar-se no básico das estratégias dentro dos jogos, Marina se mantém curiosa e próxima do cenário, mesmo sem ser jogadora ávida.

 

A abordagem da Prodigy durante o dia das mulheres:

“Os reais influenciadores são meus torcedores, minhas torcedoras. Elas super participam, eu sei até o jeito que elas escrevem, o tipo de interação que elas têm. Eu quis ir pra esse lado, fazer com que as nossas torcedoras se sentissem vistas, da forma que elas são de fato. Elas são minhas reais influenciadoras.”

Marina busca mostrar as torcedoras que elas possuem espaço dentro da organização dela, além de valorizar e mostrar a sua importância para todos, como dona, responsável por gerar e cuidar da marca, que ela possui a mesma dupla jornada e reconhece as dificuldades e a versatilidade necessária de uma mulher nos dias atuais. Nas próprias palavras da Marina: “eu sou uma mulher, uma mãe, uma empresária”.

 

Em algum momento durante seu tempo de trabalho desde 2017, você já se questionou, não na questão profissional, mas sobre a condição de ser mulher, de fazer algo, e ter medo, receio, por causa do seu gênero?

“Não, porque não me importo. Nunca me importei com o que as pessoas pensam sobre mim. É uma questão de personalidade. Mas já sofri machismo, digo não para algo que pedem e as pessoas vão lá e ligam pro Vitor, não só uma vez, mas diversas vezes, como se ele fosse quem mandasse de verdade.”

 

Recado para as meninas, seja quem queira trabalhar como staff, jogadora, streamer.

“Eu entendo a dificuldade que existe [jogadora], porque só pelo fato de você ser uma mulher, você vai ser xingada, e você conseguir perseverar diante de todo esse cenário… Só por isso, a garota precisa ter um puta de um psicológico mesmo, forte, de não se importar com o que pensam. E mesmo essas que não se importam, ainda levam o baque, diante de tanta mensagem negativa e ódio que possam vir a receber. Eu entendo o quanto isso é difícil. Nós mulheres que estamos já inseridas no cenário, eu por exemplo, pode acreditar que eu ainda vou fazer pelas garotas o que eu sinto que preciso fazer. Todos os dias eu recebo mensagens de mulheres que se sentem motivadas por mim e, na minha visão, eu não tô fazendo nada demais, eu nem alcancei o lugar que eu quero alcançar ainda. E é tão bacana você receber o carinho de alguém que você não conhece, e a pessoa nem te conhece, mas sabe quem você é, e tá vendo o seu trabalho, e acha que você é relevante, isso é muito legal, e eu vou retribuir esse carinho. É uma missão pessoal minha.”

A Sakuras Esports agradece imensamente a CEO Marina Leite, um dos exemplos que encontramos, em uma diversidade muito grande de escolher. A sua perseverança de mudar sua escolhas e ir atrás de algo que nos satisfaz, nos tira do lugar de quietude. A extraordinária Marina nos inspira, pois mostrou que não precisou largar ou abrir mão de nada para ser bem sucedida. Cheia de determinação, ela mostrou ter coragem para seguir um território que, na época, era desconhecido para ela mesma, e não teve medo nenhum de se jogar no cenário de esports.

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Carlota Augusta

Mestranda em sociologia com muito amor por esports.

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