DREAMIT, a única equipe feminina do Apex Legends PreSeason Invitational

15/10/2019

“A primeira e a melhor equipe feminina de Apex”, é assim que se apresentam em suas redes sociais. Criada inicialmente para jogar competitivamente CS:GO, a DREAMIT foi a única equipe composta inteiramente por mulheres a participar do Preseason Invitational, o primeiro campeonato oficial do jogo Apex Legends, lançado ainda este ano. Vocês nos pediram pra cobrir essa presença, então o Sakura Esports foi bater um papinho com a DREAMIT e hoje vamos apresentar a vocês as mulheres maravilhosas que fazem parte desse time inspirador.

 

História

Como o nome dá a entender, tudo começou com um sonho: o sonho de ser a maior e melhor organização 100% feminina de eSports – desde as players à staff – e tornar possível que todas as suas membros tenham os games como emprego.

“Um dia, acordamos irritadas por não termos os mesmos privilégios que homens no cenário de CS:GO e decidimos criar nossa própria equipe e buscar patrocinadores. MSI e eNgage [eram os] principais financiadores” – DREAMIT.

O mascote da equipe russa é um unicórnio pra lá de furioso, o que nos deixou bem curiosas, então perguntamos o que estava o irritando tanto. As garotas nos explicaram que queriam uma logo feminina, mas não tanto assim, então escolheram um unicórnio “faminto [para alcançar a conquista de] ser um dos melhores times que existem”.

Atualmente, DREAMIT tem apenas a line-up de Apex Legends, composta por Nicole “nCL” Hanser, de 28 anos; Julia “Juju” Steffen, 29; e Hosana “Tinylady”, de 28 anos recém-completos, que inclusive é brasileira, mas mudou-se para a Europa aos 10 anos.

A organização, entretanto, nem sempre foi tão pequena: além de CS:GO, onde começaram, o time já teve line-ups para Overwatch, League of Legends e PUBG, antes da DREAMIT passar por um hiatus para explorar outras equipes e, nesse processo, desmanchar todas as line-ups e contratos de patrocínio. 

“Tínhamos patrocinadores quando jogamos CS:GO. Quando Apex foi lançado, ninguém queria criar um time, então decidimos voltar a ser DREAMIT e voltar [à ativa]. Fomos chamadas à Polônia, recebemos várias ofertas para outras organizações, mas não nos sentimos prontas para deixar a DREAMIT, ela nos representa e temos orgulho dela.” – DREAMIT.

 

DREAMIT no Preseason Invitational

A equipe relembra sua participação no Apex Legends: Preseason Invitational como uma grande experiência e afirma que todas as jogadoras se sentiram “aceitas e bem tratadas como qualquer outro time”. DREAMIT está orgulhosa de ter este campeonato como sua estreia no competitivo do Apex.

“Chamamos muito a atenção dos repórteres e até fomos entrevistadas pela EA, nos sentimos como estrelas do pop! […] Foi uma COPA MUNDIAL, essas palavras são grandes.” – DREAMIT.

Apesar da felicidade, as jogadoras admitem que o resultado poderia ter sido diferente – DREAMIT ficou em 19º lugar, sendo desclassificada no segundo dia de competição, como todas as equipes que ficaram abaixo da 10ª colocação.

“Sentimos que não mostramos nossas habilidades. nós sabemos que podíamos ter feito 100 vezes melhor, e é por isso que queremos mais do que nunca participar do próximo evento e mostrar do que somos capazes.” – DREAMIT.

Além da Preseason Invitational, a organização já participou de mais quatro eventos: WES 1K Invitational; EU Qualifier; UMG Legends Series #4; APEX ECL KILL RACE PLACEMENT TOP 20; e APEX LEGENDS EGL SQUAD PLACEMENT.

 

Depoimentos das jogadoras

Pedimos às garotas da DREAMIT que respondessem algumas perguntas para conhecê-las melhor; eram desde questões sobre os cenários competitivos e femininos dos games até algumas curiosidades sobre si mesmas e sobre o próprio time. Aqui vai uma coletânea das melhores respostas!

Pra começar, a “culpa” pelo time ter se voltado ao Apex é inteiramente da Juju, que arrastou nCL e Tinylady na marra para o game assim que ele saiu, e elas também acabaram se apaixonando completamente pela jogabilidade. Às vezes, você só precisa de um empurrãozinho!

As três jogadoras concordam que Apex não precisa de um cenário 100% feminino, com competições e torneios restritos por gênero. A opinião surge do consenso de que o jogo acolhe bastante as garotas e a comunidade não apresenta toxicidade nenhuma. Para elas, as mulheres deveriam aproveitar esse ambiente favorável e mostrar suas habilidades em competições para que consigam patrocinadores e times..

“Eu joguei PUBG antes de ir pro Apex. É quase igual ao Apex. Não tem campeonatos femininos e as garotas jogam nos mesmos times que os garotos. Eu gosto muito disso” – nCL.

 

“Seja você mesma e não pare de praticar!” – Juju.

 

“Apex mostrou que apoia times femininos, então é hora de nós mulheres nos destacarmos e conseguirmos convites [para outros times]. […] Não estamos lutando por privilégios, mas sim para sermos iguais” – Tinylady.

Por fim, perguntamos de CS:GO, já que todas vieram juntas de lá, e as respostas foram unanimemente negativas. Todas afirmaram que o cenário é muito tóxico e que não pretendem voltar ao jogo.

“Sim, a comunidade de CS:GO é horrível com mulheres gamers. Muitos não aceitam nunca garota alguma. Falam que mulher tem que estar na cozinha, que são vadias, etc. Também não aceitam que há mulheres melhores que homens. Isso nunca nos aconteceu desde que passamos pro Apex” – Juju.

 

“A comunidade de Apex não é ruim a esse nível. É muito mais confortável e todos apoiam todo mundo” – nCL.

 

“DE JEITO ALGUM [a comunidade de CS:GO acolhe meninas]. Ser menina em CS:GO é simples: se você joga mal é boostada, se joga bem é boostada, se errou um tiro devia desinstalar o jogo, se você diz ‘Oi’ no começo do round você ouve ‘AH NÃO GG PERDEMOS’. Houve um momento em que tive medo de falar qualquer coisa antes de conseguir uma kill. Quando eu estava grávida, os médicos me mandaram parar de jogar CS:GO porque estava afetando meu bebê, não estou nem brincando. Eu chegava a chorar depois das partidas. Não é fácil ser menina no CS:GO, infelizmente” – Tinylady.

 

Futuro

Agora que voltaram à ativa, o objetivo da DREAMIT é participar de todos os torneios online e offline de Apex que surgirem, conseguir patrocinadores e assim possibilitar o recrutamento mais garotas, a criação de line-ups para mais jogos e o estabelecimento da DREAMIT como uma organização feminina renomada.

Apesar do otimismo para a expansão além do Apex, tem uma linha que a DREAMIT nunca vai cruzar.

“Não, nós não iremos apoiar ou adicionar um time feminino de CS:GO. A comunidade é contaminada demais. Não podemos apoiar um jogo que não faz NADA pela gente.” – DREAMIT.

 

Esdesu, mais representação feminina no Preseason Invitational

As meninas da DREAMIT não foram as únicas mulheres a participar do Preseason Inviational, mas foram quase: a única outra jogadora era Elvira “Esdesu” Terimova, do time russo Team 789. Esdesu tem 23 anos e seus companheiros de equipe são Anton “Xaniyaa” Shkuratov e Maxim “Exens” Dmitruk, com quem dividiu jogadas incríveis. Inclusive, em um dos jogos, Xaniyaa e Exens caíram e Esdesu virou o jogo derrubando o time inimigo e levantando seus aliados, carregando sua equipe rumo à vitória da partida – e é importantíssimo notar que o chat explodiu de comemorações, bradando coisas como “POG”, “ESDESU” e “GIRL POWER”. O trio conquistou o sexto lugar na competição, ganhando nada menos que 30 mil dólares.

Logo da DREAMIT.
Logo da DREAMIT.

Lana “Juno” Duarte

Diretora de Comunicação da Sakuras Esports, a caminho da formatura em Jornalismo e main Miss Fortune nas horas vagas.

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